Revelando · episódio
O julgamento que nunca aconteceu
Segundo a descrição do vídeo e as reportagens, o episódio, apresentado por Camila Pitanga, conta a morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em fevereiro de 2021, atingida por disparo de fuzil de policial militar em Niterói, e traz entrevista com a mãe. O programa questiona a entrada de Flávio Bolsonaro, então senador, na defesa do policial acusado, que até outubro de 2026 não havia sido julgado. Segundo a TVT News, apresenta também um levantamento sobre chacinas policiais no Rio sem julgamento.
O episódio é um programa de opinião, com linguagem própria. As afirmações dele valem o que os documentos confirmam: abaixo, cada uma é cruzada com o acervo do site.
O que o episódio afirma e o que os documentos mostram
Em parte
O programa diz: O programa afirma que Ana Clara, de 5 anos, foi morta em 2 de fevereiro de 2021 na porta de casa por tiros de fuzil disparados por um policial militar, o cabo Bruno Delaroli, preso em flagrante.
Bate: o dossiê registra a morte em 02/02/2021, em Niterói, a denúncia do MPRJ que atribui o disparo ao cabo Bruno Dias Delaroli e a prisão em flagrante em 03/02/2021. Não bate/não consta: a descrição fala em "quatro tiros" (o verbete da Wikipédia diz "dois"), e o dossiê fala em disparo de fuzil sem número de tiros; a fala do delegado não está no acervo. O policial é acusado, não condenado: a autoria ainda depende de julgamento.
- CartaCapitalfichaseção “Menina brincava quando foi baleada”: data e circunstâncias
- Jovem Panfichaabertura da reportagem de 04/02/2021
- Jovem Panfichaabertura (prisão “nesta quarta-feira, 3”), parágrafos sobre a Polícia Civil e a PM
- primáriaYouTubefichadescrição do vídeo; trecho: "foi atingida por quatro tiros de fuzil, disparados por um um policial militar no Rio de Janeiro"
Confirmado em documento
O programa diz: O programa afirma que, quando a família esperava o julgamento, Flávio Bolsonaro, então senador, entrou no caso como advogado do policial, e que o policial não foi julgado até hoje.
O dossiê registra que, já determinado o júri, Flávio integrou a defesa em 2024 e assinou recurso ao STJ contra a pronúncia, negado segundo as reportagens, e que o julgamento não havia ocorrido até outubro de 2026. Advogar para um acusado é direito assegurado pela Constituição; o acervo não liga Flávio à morte.
- CartaCapitalfichaseção “Flávio advogou para o assassino” (primeiros parágrafos)
- GCMaisfichaseção sobre a relação de Flávio com o caso
- Congresso em Focofichaseção “Qual foi a participação de Flávio Bolsonaro?”
- Cidade de Niteróifichaseção “Do que o policial é acusado”: “Delaroli é acusado, não condenado”
- TVT Newsfichaúltimo parágrafo da seção sobre Flávio: julgamento não havia ocorrido até outubro de 2026
Opinião do programa
O programa diz: O programa pergunta qual era a intenção de um senador ao defender o homem preso em flagrante pela morte de uma criança, e a apresentadora diz que há "gente com nome e com poder" trabalhando para que o julgamento não chegue.
Insinuação e interpretação do programa. O dossiê registra a atuação processual (recurso contra a pronúncia) e a resposta de Flávio no debate da Band ("Você não pode criminalizar a advocacia"); não há, nas fontes do acervo, prova de atuação para impedir o julgamento além do recurso.
- primáriaYouTubefichadescrição do vídeo; trecho: "Qual era a intenção de um Senador em defender o homem preso em flagrante pelo assassinato de uma criança?"
- CartaCapitalfichacitação da resposta de Flávio no debate
Não encontrado no acervo
O programa diz: Segundo a TVT News, o episódio apresenta levantamento de 629 chacinas cometidas por policiais no Rio entre 2007 e 2022, das quais apenas duas resultaram em denúncia.
O acervo não tem esse levantamento nem a fonte original dos números.
Confirmado em documento
O programa diz: Segundo o verbete da Wikipédia e um corte do canal ("A relação de Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega"), o episódio aborda a ligação de Flávio com policiais homenageados por ele, como Adriano da Nóbrega.
O acervo registra que Flávio, como deputado estadual, apresentou a Moção 2650/2003 de louvor a Adriano e o projeto que lhe concedeu a Medalha Tiradentes (Resolução 931/2005), e que a mãe e a então esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj até novembro de 2018 (Queiroz assumiu ter pedido as nomeações). Adriano foi denunciado na Operação Intocáveis (2019) e morreu em 2020 sem julgamento; não há evidência de que Flávio soubesse em 2003–2005 das atividades atribuídas a ele em 2019. O conteúdo exato do episódio sobre isso não foi verificado (vídeo não assistido).
- primáriaAssembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — Sistema de Processo Legislativo 2003-2007fichaDatas: entrada 24/10/2003; trecho: "Presta serviços à Sociedade desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento"
- primáriaAssembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — Sistema de Processo Legislativo 2003-2007fichaementa: "CONCEDE A MEDALHA TIRADENTES E RESPECTIVO DIPLOMA AO 1º TEN PM ADRIANO MAGALHÃES DA NÓBREGA"; tramitação: entrada 22/06/2005; votação "Aprovado" 24/08/2005; Resultado Final: Resolução 931/2005
- Jornal do Brasilfichatrechos: nota de Queiroz (pediu a contratação por solidariedade à família) e nota de Flávio: "a contratação das duas seria da responsabilidade de Queiroz"
- Wikipédiafichaseção "O julgamento que nunca aconteceu", 2º parágrafo (ligação do senador com policiais homenageados, como Adriano da Nóbrega)
Em parte
O programa diz: Segundo o verbete da Wikipédia e um corte do canal ("A ligação de Flávio Bolsonaro com os assassinos de Marielle"), o episódio relaciona Flávio a policiais ligados ao assassinato de Marielle Franco e cita a juíza Patrícia Acioli.
Bate em parte: o acervo registra que Flávio apresentou em 2004 a Moção 3180/2004 de louvor ao então capitão Ronald Paulo Alves Pereira, condenado em 2026 pela 1ª Turma do STF (AP 2434, trânsito em julgado em 30/06/2026) a 56 anos de reclusão pela participação nos homicídios de Marielle Franco e Anderson Gomes; é um ato único de 2004, sem outra relação documentada. Não consta: o acervo não tem registro sobre Patrícia Acioli e não liga Flávio aos executores do crime. "Assassinos de Marielle" é o enquadramento do corte do programa.
- primáriaAssembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — Sistema de Processo Legislativo 2003-2007fichaDatas: entrada 08/03/2004, publicação 11/03/2004; trecho: "pelos importantes serviços prestados ao Estado do Rio de Janeiro"; "três destes vieram a falecer"
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 3: "5. CONDENAR o réu RONALD PAULO DE ALVES PEREIRA [...] à pena de 56 anos de reclusão"
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 8 (ementa, item 11): "monitorou as atividades de MARIELLE FRANCISCO DA SILVA e forneceu aos executores informações essenciais"
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 15: "transitaram em julgado em 30 de junho de 2026, para os réus [...], RONALD PAULO ALVES PEREIRA"; p. 27: "Brasília, 7 de julho de 2026"
- Wikipédiafichaseção "O julgamento que nunca aconteceu", 2º parágrafo (Patrícia Acioli e Marielle Franco)
Dossiês relacionados
Sobre o episódio
- primáriaYouTubefichadescrição do vídeo; trecho: "O caso ficou sem julgamento durante 5 anos"
- Poder360fichaseção “Outro lado”
- TVT Newsfichatrecho: "Intitulado “O julgamento que nunca aconteceu”, o episódio foi disponibilizado nesta quarta-feira (30), no YouTube."
- Wikipédiafichaseção "O julgamento que nunca aconteceu"