Escândalo · Relações com aliados e agentes investigados · Patrimônio, presentes oficiais e conflitos de interesse
Willer Tomaz: o advogado amigo de Flávio Bolsonaro na mira da PF
Willer Tomaz é advogado e empresário em Brasília, com trânsito entre políticos de vários partidos, e amigo declarado do senador Flávio Bolsonaro. Em 2017 foi preso na Operação Patmos, acusado de cooptar um procurador da República em favor da JBS; a denúncia foi depois rejeitada pelo TRF-1 por falta de provas, segundo o Estadão. Em agosto de 2026 foi alvo de buscas da PF na Operação Sem Desconto (fraudes no INSS), que, segundo a polícia, apura se ele serviu de apoio financeiro e patrimonial ao senador Weverton Rocha. Reportagens documentam viagens com Flávio, um voo em jato do qual Tomaz era cotista ao lado de empresa ligada a Daniel Vorcaro, um imóvel usado por Flávio na campanha, e-mails sobre uma conta de offshore de Tomaz, apostas bilionárias e, em 19/10/2026, uma operação sobre vazamento de decisões do STJ para ele. Tomaz nega todas as irregularidades e diz não ser investigado na Sem Desconto; Flávio diz que entre os dois há só amizade. Ninguém aqui foi condenado.
O caso num quadro
Investigação Investigações da PF sobre o advogado amigo de Flávio Bolsonaro (Sem Desconto e Linceu). Willer Tomaz nega e não foi denunciado; Flávio não é alvo da Sem Desconto, segundo o Estadão.
Pessoas e instituições envolvidas


PPBPPPSCPSLsem partidoPATRIOTAPL


Contexto
Willer Tomaz não exerce cargo público e não foi condenado em nenhum dos casos registrados aqui. Ser alvo de busca e apreensão não é indiciamento nem denúncia; a denúncia de 2017 foi rejeitada. O interesse público do dossiê está na proximidade documentada entre ele e um senador candidato à Presidência, e nos pontos em que as investigações e reportagens cruzam essa relação (jato, imóvel, conta). As reportagens que ligam Flávio a esses fatos dizem expressamente que eles, isoladamente, não demonstram ilegalidade dele. Fontes de linhas editoriais distintas: ICL Notícias e Revista Fórum têm linha crítica a Flávio Bolsonaro; Poder360, Estadão, Correio Braziliense, Congresso em Foco, A Gazeta, Diário do Comércio, Correio da Manhã, Diario de Pernambuco e InfoMoney são generalistas.
Cronologia
Segundo o Estadão (Agência Estado), o TRF-1 rejeitou a denúncia contra Tomaz por falta de provas, e Joesley Batista depois disse em depoimento que não o contratou para influenciar autoridades. A data da rejeição não consta da fonte lida. Decisão judicial
- O Povo / Agência Estadofichaparágrafo “Em 2017, Willer chegou a ser alvo de prisão…”: “rejeitou a denúncia movida contra ele por falta de provas”
Operação Patmos: Willer Tomaz e o procurador da República Ângelo Goulart Villela são presos preventivamente por ordem do STF. Segundo a investigação, baseada na delação de Joesley Batista (J&F), Tomaz teria cooptado o procurador para atuar em favor da JBS e atrapalhar a Operação Greenfield. Decisão judicial
- Correio Braziliensefichaprimeiros parágrafos: presos “desde 18 de maio”, “cooptado pelo advogado Willer Tomaz”
- Poder360fichaparágrafo “Tomaz teria atuado na cooptação do procurador. Os 2 estão presos desde 18 de maio”
O MPF denuncia o procurador e Willer Tomaz. O procurador é acusado de corrupção passiva, violação de sigilo funcional e obstrução de investigação; a reportagem não detalha os crimes imputados a Tomaz. Denúncia oferecida
- Correio Braziliensefichadata de publicação (06/06/2017) e parágrafo “O procurador é acusado de corrupção passiva…”
A 2ª Turma do STF substitui a prisão preventiva do procurador por medidas cautelares e estende a decisão a Tomaz, que pôde continuar advogando. A defesa dele disse que a prisão foi “uma injustiça” baseada “apenas na palavra de delatores”. Decisão judicial
Segundo O Globo, citado por A Gazeta, Tomaz e Flávio fazem cinco viagens internacionais juntos entre janeiro e maio de 2025. Fato documentado
- A Gazeta (ES)fichatrecho “ambos fizeram cinco viagens internacionais juntos entre janeiro e maio de 2025”
Flávio Bolsonaro, a família e Tomaz voam de Fort Lauderdale (EUA) a Brasília no jato Legacy 650 PP-NLR, dividido em cotas entre uma holding de Tomaz e a Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025, segundo a piauí. Tomaz diz que pediu e pagou a viagem. Fato documentado
- Diario de Pernambucofichatrechos “O grupo partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, em 19 de janeiro de 2025” e “A informação foi levantada pela revista Piauí”
- Congresso em Focofichatrecho “Segundo o advogado, foi ele quem solicitou e pagou a viagem.”
- Correio da Manhãfichatrecho “Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025”
Segundo e-mails obtidos pela PF e revelados pelo UOL (com confirmação da Folha), uma funcionária de Tomaz pede ao Santander que Flávio seja desvinculado de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa de Tomaz na Ilha da Madeira. Alegação atribuída
- A Gazeta (ES)fichatrecho “Em maio de 2025, a funcionária solicitou ao banco que Flávio Bolsonaro fosse desvinculado da conta…”
A WT Administração de Imóveis, de Tomaz, compra por R$ 3,5 milhões um apartamento em São Paulo que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, comprara por R$ 5,5 milhões em 17/04/2025, segundo a Folha. Fato documentado
- Diário do Comércio (MG)fichatrecho “Zettel comprou o apartamento, em 17 de abril de 2025, por R$ 5,5 milhões, e o vendeu, em 10 de fevereiro de 2026, por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis”
Flávio fica alguns dias da primeira quinzena de agosto, na campanha, no apartamento da empresa de Tomaz em São Paulo, segundo a piauí; Flávio diz ter se hospedado em hotéis. Alegação atribuída
- Diário do Comércio (MG)fichatrechos sobre a hospedagem e “À revista piauí, ele afirmou que apenas hospedou-se em hotéis da região.”
Tomaz entra com ação na 44ª Vara Cível de São Paulo (processo 4142445-56.2026.8.26.0100) contra a operadora da plataforma de apostas Blaze, pedindo a devolução de cerca de R$ 163 milhões de prejuízo líquido em 2025 e alegando ludopatia, segundo o Metrópoles e o Congresso em Foco. Fato documentado
- Congresso em Focofichaseção “Da roleta para o Judiciário”: data, vara, número do processo e pedido
Nova fase da Operação Sem Desconto, autorizada pelo ministro André Mendonça (STF): 18 mandados de busca no DF e no Maranhão, entre eles na casa e no escritório de Tomaz. A PF apura se ele fez operações de lavagem para o senador Weverton Rocha e lhe cedeu uma aeronave. O MPF foi contra as buscas. Segundo o Estadão, a operação não envolve suspeitas sobre Flávio. Suspeita sob investigação
- Poder360fichaparágrafos sobre os 18 mandados, a decisão de Mendonça e a posição do MPF
- O Povo / Agência Estadofichaparágrafos de abertura e trecho “A operação da PF não envolve suspeitas sobre o pré-candidato”
Operação Linceu: a PF faz busca contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de TI do STJ, suspeito de repassar a Tomaz informações de processos antes da divulgação oficial. A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF). Tomaz nega. Suspeita sob investigação
- ICL Notíciasfichaparágrafos de abertura e trecho “Willer nega ter tido acesso irregular”
O que está documentado
- Decisão judicial · relato de reportagens; denúncia e decisão de rejeição não lidas
Em 2017, Willer Tomaz foi preso preventivamente e denunciado pelo MPF na Operação Patmos. A denúncia foi depois rejeitada pelo TRF-1 por falta de provas, segundo o Estadão, e o delator Joesley Batista disse que não o contratou para influenciar autoridades. Ele não foi condenado nesse caso.
- Correio Braziliensefichaprimeiros parágrafos
- O Povo / Agência Estadofichaparágrafo “Em 2017, Willer chegou a ser alvo de prisão…”
- Suspeita sob investigação · trechos da investigação reproduzidos pela imprensa; representação e decisão não lidas
Segundo a PF, citada pelo Poder360, a casa de R$ 6 milhões no Lago Sul (Brasília) usada pelo senador Weverton Rocha foi comprada pela WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Tomaz, e “a dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração”. A PF descreve Tomaz como “personagem de sustentação” do grupo investigado. É suspeita sob investigação; não há denúncia.
- Alegação atribuída · relato de reportagem sobre decisão não lida; com a resposta de Tomaz
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, relatada pelo De Olho nos Ruralistas no ICL Notícias, a mulher do senador Weverton Rocha recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Tomaz. Tomaz diz que ela é associada do escritório há anos e que os valores são honorários declarados.
- ICL Notícias / De Olho nos Ruralistasfichaparágrafo “Segundo a decisão do ministro André Mendonça…”
- Poder360fichaíntegra da nota de Tomaz: “A advogada Samya Rocha atua há vários anos como associada do escritório…”
- Fato documentado · cruzamento de reportagens; registros da aeronave não lidos
Flávio Bolsonaro voou dos EUA a Brasília em 19/01/2025 num jato em que Tomaz tinha cota ao lado da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio. Em julho de 2026 Flávio dissera: “Nunca entrei em avião de Vorcaro”. Depois da revelação, respondeu que na época “o avião era de Willer”.
- Diario de Pernambucofichatrechos sobre o voo e a piauí
- InfoMoney (Agência O Globo)fichatrecho “Nunca entrei em avião de Vorcaro”
- Congresso em Focofichatrecho “Ainda bem que na época o avião era de Willer…”
- Alegação atribuída · relato de reportagens sobre relatório não lido
Segundo o relatório da PF citado por O Globo e pela Revista Fórum, Flávio figurava como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holdings, de Tomaz, e a Alcazar detinha um terço da empresa dona do jato PP-NLR. A própria Fórum registra que o documento, por si só, não demonstra que Flávio movimentou recursos. Flávio nega ter tido conta com Tomaz.
- Revista Fórumfichatrechos “usuário master” e “O documento, por si só, não demonstra…”
- A Gazeta (ES)fichatrecho “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz…”
- Fato documentado · relato de reportagem sobre peças de processo civil não lidas
Segundo dados levados por Tomaz à Justiça e relatados pelo Congresso em Foco, ele registrou em 2025 na plataforma Blaze R$ 4,963 bilhões em apostas perdidas e R$ 4,8 bilhões em ganhos, com depósitos de cerca de R$ 300 milhões; os bilhões resultam do giro do mesmo dinheiro. O veículo diz não haver elemento público que ligue a ação à operação da PF.
- Congresso em Focofichaparágrafos de abertura (valores) e trecho “Até o momento, não há elemento público que demonstre relação entre uma coisa e outra”
- Suspeita sob investigação · relato de uma reportagem sobre relatórios sigilosos não lidos
Segundo a PF, relatada pelo ICL Notícias, Tomaz teria recebido antecipadamente votos, ementas e decisões do STJ e enviado orientações para pareceres do MPF, e movimentou cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025. O ICL afirma que Tomaz e Flávio são investigados num inquérito no STF sobre suposta lavagem; essa afirmação não foi confirmada em outra fonte lida, e a investigação corre sob sigilo.
- ICL Notíciasfichaseção “Willer Tomaz” (R$ 130 milhões, frentes financeira e jurídica) e trecho “Willer e Flávio são investigados em um inquérito no STF”
Alegações e seus autores
Polícia Federal (segundo o Congresso em Foco), 4 ago. 2026: Tomaz estaria ligado a uma estrutura que funcionaria como “hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição de investigados, entre eles o senador Weverton Rocha.
- Congresso em Focofichatrecho “hub financeiro, patrimonial e logístico”
Defesa de Willer Tomaz em 2017, 1 ago. 2017: “A prisão do Willer foi de uma injustiça tão grande que cabe inclusive reparação civil no futuro”, disse o advogado Rafael Araripe Carneiro.
Respostas dos envolvidos
- Manifestação da defesa
Willer Tomaz, 4 ago. 2026: Em nota, disse que a busca “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave” usada por Weverton Rocha, que “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto” e que a cessão do avião teve “caráter pessoal e amistoso”. Sobre o imóvel, disse ter uma imobiliária que possui e negocia diversos imóveis, sem irregularidade.
- Manifestação da defesa
Willer Tomaz, 17 set. 2026: Disse não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro.
- Diário do Comércio (MG)fichatrecho “O advogado e empresário Willer Tomaz esclarece que não conhece Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro”
- Manifestação da defesa
Willer Tomaz, 19 out. 2026: Sobre a Operação Linceu, a defesa disse que ele “nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal” e que as insinuações “são falsas”.
- ICL Notíciasfichaúltimo parágrafo da seção “Willer Tomaz” (nota da defesa)
- Resposta pública
Flávio Bolsonaro, 10 out. 2026: Disse que “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e que entre os dois “há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira”.
- A Gazeta (ES)fichatrechos com a nota de Flávio
- Resposta pública
Flávio Bolsonaro, 24 set. 2026: Sobre o voo de 2025: “Ainda bem que na época o avião era de Willer.” Antes, em julho de 2026, dissera: “Nunca entrei em avião de Vorcaro”.
- Congresso em Focofichacitação de Flávio
- InfoMoney (Agência O Globo)fichacitação de julho de 2026
Consequências comprovadas
- Fato documentado
Humberto Pradera foi exonerado do cargo no STJ em 16/10/2026, após a abertura de procedimento interno no tribunal, segundo o ICL Notícias.
- ICL Notíciasfichatrecho “Humberto Pradera foi exonerado do cargo na última sexta-feira (16)”
Limitações e questões em aberto
- Nenhuma decisão, denúncia, representação ou relatório da PF foi lido; os números dos inquéritos no STF não constam das fontes lidas.
- Patmos (2017): as fontes divergem sobre o tribunal (o Correio Braziliense diz que o processo iria ao TRF-3; o Estadão diz que o TRF-1 rejeitou a denúncia). A data e o teor da rejeição não foram confirmados em fonte primária, nem os crimes imputados a Tomaz.
- A afirmação do ICL Notícias de que Flávio Bolsonaro é investigado num inquérito no STF com Tomaz não foi confirmada por outra fonte lida; o Estadão disse em agosto de 2026 que a Operação Sem Desconto não envolvia suspeitas sobre ele.
- Reportagens sobre uma casa de apostas que teria pago voos de Flávio na Europa (atribuídas à Folha) não puderam ser lidas (acesso bloqueado) e não foram registradas.
- Uma reportagem de veículo pequeno sobre a Operação Linceu, que cita outros nomes, não foi usada por falta de confirmação em outra fonte.
- As reportagens originais da piauí, Folha, UOL, O Globo e Metrópoles não foram lidas; os fatos vêm de veículos que as reproduziram.
- Tomaz é tratado aqui como pessoa de interesse público pela relação com agentes públicos; a mulher do senador Weverton Rocha é citada só como consta na decisão relatada, sem outros dados pessoais.
Pendências de apuração
- Ler a decisão do ministro André Mendonça (o Poder360 publicou a íntegra em PDF) e preservá-la como fonte primária.
- Confirmar no TRF-1 a rejeição da denúncia de 2017 (data e fundamentos).
- Confirmar com fonte oficial se Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em inquérito com Tomaz.
- Ler as reportagens originais (piauí, Folha, UOL, O Globo, Metrópoles) e o processo 4142445-56.2026.8.26.0100 (TJSP).
Histórico de atualizações
- — Dossiê criado a pedido do responsável. autos não lidos;