Rede de relações
Frederick Wassef
PL

Advogado que atuou para Flávio Bolsonaro (inclusive no caso das "rachadinhas") e que representou Jair Bolsonaro em ação no TRF-1 ligada ao caso Adélio Bispo, segundo o porta-voz da Presidência (2019) e procuração noticiada pela CNN (2021). Fabrício Queiroz foi preso em 18/06/2020 em imóvel de Wassef em Atibaia (SP). Em julho de 2024 foi indiciado pela PF no inquérito das joias recebidas pela Presidência, por ter recomprado nos EUA um relógio Rolex depois devolvido à União. Nega irregularidades.
Esta ficha documenta separadamente (A) o envolvimento criminal registrado e (B) a relação com integrantes da família. Uma relação documentada não demonstra, por si só, conhecimento ou participação em crimes.
A. Envolvimento criminal e situação processual
- Indiciado
Indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e associação criminosa no inquérito sobre a venda de joias e presentes recebidos pela Presidência (recompra de um Rolex nos EUA).
- Itatiaiafichaparáfrase: indiciado por lavagem de dinheiro e associação criminosa (indiciamento em 04/07/2024)
- IstoÉfichatrechos: "Em outubro, Flávio Dino já havia rejeitado o pedido de Wassef para suspender a investigação"; Gonet afirmou que o habeas corpus "não pode ser admitido"
- Itatiaiafichatrecho da decisão: "Não houve manifestação Ministerial quanto ao citado material"
- Poder360fichaparáfrase: em 04/03/2026 Gonet pediu arquivamento da apuração principal; Moraes não arquivou
- primáriaPortal do STFfichaaba Andamentos, movimentações de 21/09/2026 a 08/10/2026
- Investigado
Alvo de apuração sigilosa e separada, aberta por Alexandre de Moraes em 30/06/2026, sobre "eventos fortuitos" encontrados no celular apreendido em 2023.
B. Relação com a família
Flávio Bolsonaro — Relação comercial
Wassef atuou como advogado de Flávio Bolsonaro, inclusive no caso das "rachadinhas" (Poder360, 18 e 20/06/2020). Em 18/06/2020, Queiroz foi preso em imóvel de Wassef em Atibaia (SP); Wassef negou tê-lo escondido e disse que o local estava em obras. Segundo O Povo (29/08/2023), ele deixou a defesa de Flávio depois que veio a público onde Queiroz estava. O Poder360 (01/07/2026) ainda o identifica como advogado de Flávio. O período de representação não foi documentado (procuração ou registro processual não localizado).
- Poder360fichasubtítulo: "Estava na casa do advogado de Flavio"; texto: "Queiroz estava em 1 imóvel do advogado Frederick Wassef, advogado de Flávio e de Jair Bolsonaro"
- Poder360fichatrechos: "Queiroz não estava escondido." / "Meu escritório estava em obras."
- O Povofichatrecho: "Eu confio 100% na capacidade e na lealdade do Wassef"; paráfrase: deixou a defesa após vir à tona onde Queiroz estava
- Poder360fichaparáfrase: Wassef, advogado de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro
- Diario de Pernambucofichatrecho: "O advogado defende Flávio no caso das movimentações suspeitas apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)"
Jair Bolsonaro — Relação comercial
Representação de Jair Bolsonaro por Wassef em ação específica no TRF-1. Em 30/09/2019, o porta-voz da Presidência confirmou que Wassef representaria o então presidente em ação no TRF-1 sobre investigações relativas a Adélio Bispo de Oliveira (Diario de Pernambuco, 30/09/2019). Segundo a CNN (08/06/2021), Jair assinou em 06/05/2021 procuração a Wassef com poderes gerais para o foro e menção especial a um mandado de segurança no TRF-1, impetrado pela OAB em favor do advogado que defendeu Adélio Bispo; Wassef a juntou aos autos em 13/05/2021. A procuração e os autos não foram conferidos em fonte oficial, e o fim da representação não foi documentado. Em junho de 2020, a advogada Karina Kufa afirmou que apenas o escritório dela representava o presidente (Poder360, 20/06/2020). Wassef também se apresentou publicamente como advogado de Jair (Poder360, 20/06/2020; Itatiaia, 05/07/2024). As fontes não mostram atuação de Wassef como defensor de Jair em outros processos. A situação de Wassef no inquérito das joias está no envolvimento da ficha dele.
- Diario de Pernambucofichatrecho: Wassef "representará também o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) que trata de investigações sobre Adélio Bispo de Oliveira"; "A informação foi confirmada nesta segunda-feira (30) pelo porta-voz da Presidência"
- CNN Brasilfichatrechos: procuração "assinada pelo presidente no dia 6 de maio"; poderes "em especial no mandado de segurança [...] em tramitação no Tribunal regional Federal da 1ª Região"; "No dia 13 de maio [...] Wasseff anexou essa procuração nessa ação do caso Adélio"
- Poder360fichatrecho: "O advogado voltou a dizer que trabalha para o presidente Jair Bolsonaro, embora a também advogada Karina Kufa tenha afirmado que apenas seu escritório representa o presidente"
- Itatiaiafichatrecho: "passando por tudo isto apenas por exercer advocacia em defesa de Bolsonaro"
- Poder360fichaparáfrase: Wassef, advogado de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro
O que os documentos permitem concluir
- Wassef atuou como advogado de Flávio Bolsonaro. Representou Jair Bolsonaro em ação no TRF-1 relacionada ao caso Adélio Bispo: o porta-voz da Presidência confirmou a representação em 30/09/2019, e a CNN noticiou procuração de 06/05/2021 juntada aos autos em 13/05/2021. Em 2020 outra advogada, Karina Kufa, afirmou que só o escritório dela representava o então presidente. Queiroz foi encontrado e preso em imóvel de Wassef em Atibaia em 18/06/2020.
- No inquérito das joias, Wassef é indiciado (não denunciado); a PGR pediu o arquivamento do inquérito principal e, até 08/10/2026, o STF não havia decidido, segundo os andamentos da Pet 11.645 conferidos em 14/10/2026.
- Flávio Bolsonaro manteve publicamente a confiança em Wassef em agosto de 2023, depois da busca da PF relacionada às joias.
O que não foi demonstrado
- Não há acusação formal nem decisão judicial contra Wassef relacionada à permanência de Queiroz em seu imóvel, nas fontes lidas.
- Não foi demonstrado, nas fontes lidas, quem pediu a recompra do Rolex: Wassef nega que tenha sido Jair Bolsonaro.
- Não há denúncia nem condenação de Wassef no caso das joias.
- Não foi demonstrado, nas fontes lidas, que Wassef tenha representado Jair Bolsonaro de forma permanente ou em processos além da ação no TRF-1 ligada ao caso Adélio; a autodeclaração "advogado de Bolsonaro" e a identificação pela imprensa não fixam a extensão da representação.
Dossiês relacionados
Em outubro de 2021 a Receita Federal reteve em Guarulhos um conjunto de joias presenteado por autoridades sauditas à comitiva do Ministério de Minas e Energia; outros presentes recebidos por Jair Bolsonaro ou por essa comitiva foram destinados ao acervo privado dele. Segundo a Polícia Federal, parte desses bens foi levada aos EUA e vendida ou posta à venda em 2022. Depois que o TCU mandou entregá-los, a defesa entregou dois conjuntos à Caixa em 2023; de um relógio Patek Philippe vendido nos EUA, a PF dizia em 2023 não haver indício de recuperação. O relatório final da PF (julho de 2024) indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas. Em 04/03/2026 a PGR promoveu o arquivamento, alegando lacuna legislativa sobre a natureza jurídica desses presentes; o relator no STF devolveu os autos à PGR e, no andamento oficial consultado em 14/10/2026, não havia decisão sobre o arquivamento nem denúncia. Na esfera fiscal, a Receita lavrou o Auto de Infração nº 10814.721675/2026-12, e o relator determinou em 06/10/2026 a intimação de Bolsonaro. Bolsonaro afirmou em 2023 nunca ter praticado ilegalidade, e a defesa sustenta que ele não tinha ingerência sobre os presentes (ver Respostas).
Relatório do Coaf revelado em dezembro de 2018 apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 na conta de Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj. O MPRJ investigou suspeita de devolução de salários de servidores do gabinete e, em outubro de 2020, denunciou Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Em 2021, o STJ anulou a quebra de sigilo bancário e fiscal e declarou o juiz de 1º grau incompetente, com anulação de decisões dele (alcance descrito de modo diferente pelas fontes); o STF anulou quatro relatórios do Coaf e declarou imprestáveis, em relação a Flávio, os elementos colhidos pelo MPRJ. Em 16/05/2022, depois de pedido do próprio MPRJ, o Órgão Especial do TJRJ rejeitou a denúncia por falta de justa causa: ela nunca foi recebida, e não houve julgamento de mérito, condenação ou absolvição. Na esfera cível, o MPRJ move uma ação de improbidade contra ex-assessores do gabinete, em curso. Flávio Bolsonaro nega irregularidades (ver Respostas).
Situação dos procedimentos
Esfera criminal
Cronologia
8 out. 2026 — Segundo a ConJur (08/10/2026), a 6ª Vara Cível de Brasília negou pedido de Flávio Bolsonaro para remover vídeo que o associava ao caso e o condenou a pagar R$ 8 mil em custas e honorários (processo 0727678-66.2026.8.07.0001). A data da sentença não foi informada; a data aqui é a da reportagem. Decisão judicial
- Consultor Jurídico (ConJur)fichaparáfrase: pedido de remoção negado; R$ 8 mil em custas e honorários; vídeo sobre o caso
6 out. 2026 — Relator defere pedido da Receita e determina a intimação de Jair Bolsonaro sobre o Auto de Infração nº 10814.721675/2026-12, lavrado pela Receita; a decisão não informa valor nem bens abrangidos. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 1: Ofício nº 51176/2026/MF; "DETERMINO a intimação de JAIR MESSIAS BOLSONARO em relação ao Auto de Infração nº 10814.721675/2026-12"; "Brasília, 6 de outubro de 2026"
- primáriaPortal do STF — consulta processualfichaandamento de 07/10/2026: decisão monocrática ("Decisão de 6/10/2026")
- SBT Newsfichatrecho: "para que Bolsonaro seja notificado sobre a lavratura da infração"; a reportagem diz "nesta quarta-feira (7)" (data de registro)
5 out. 2026 — Foi interposto agravo regimental contra a decisão da Rcl 96.278; em 07/10/2026 os autos estavam conclusos ao relator. A decisão de 29/09/2026 não é definitiva. Fato documentado
- primáriaSupremo Tribunal Federal — portal de processosfichaandamentos de 05/10/2026 ("Interposto agravo regimental") e 07/10/2026 ("Conclusos ao(à) Relator(a)")
29 set. 2026 — O relator, Gilmar Mendes, julgou improcedente a Rcl 96.278 e manteve a quebra dos sigilos da ex-assessora, limitada ao período em que ocupou cargo comissionado na Alerj. Fundamentos: as instâncias ordinárias não estavam esgotadas (agravo de instrumento pendente no TJRJ); o Tema 990 não trata do uso de RIFs em improbidade; o RIF 27.746 foi comunicado espontaneamente e não foi anulado no HC 201.965; e há provas autônomas, como dados funcionais da Alerj e mensagens obtidas na Operação Intocáveis. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichapp. 4–5 (instâncias), 6–9 (Tema 990 e RIF 27.746), 10–11 e 22–24 (provas autônomas), 25–26 (dispositivo)
18 set. 2026 — Diante de novo pedido da Receita (Ofício nº 512/2026), o relator determina que a secretaria do STF envie à Receita cópia dos documentos da investigação (despacho publicado em 21/09/2026). Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 3: dispositivo; "Brasília, 18 de setembro de 2026"
- primáriaPortal do STF — consulta processualfichaandamento de 21/09/2026 (registro do despacho de 18/09/2026); DJe divulgado em 21/09/2026
28 ago. 2026 — Relator defere à Receita o compartilhamento de laudos periciais e subsídios técnicos da PF sobre as joias e demais bens que "ingressaram no território nacional sem a devida declaração aduaneira"; a PGR, a favor, afirmou que a investigação "encontra-se encerrada". O pedido de arquivamento continuava sem decisão do relator. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 2: Ofício nº 39038/2026/MF, de 22/7/2026; p. 3: PGR (eDoc. 338); pp. 3–4: dispositivo e data
2 jul. 2026 — Acolhendo a PGR ("Ausente o interesse criminal na apreensão das joias"), o relator defere o pedido da Receita de transferir a custódia das joias apreendidas, guardadas na Caixa em Brasília, para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo, para instruir o procedimento fiscal de perdimento. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichapp. 1–3: pedido da Receita; manifestação da PGR; dispositivo; "Brasília, 2 de julho de 2026"
- CNN Brasilfichatrechos: "determinou nesta quinta-feira (2) a transferência da custódia"; "apontou não haver mais interesse criminal sobre os objetos"
30 jun. 2026 — Acolhendo pedido da PGR, o relator manda desentranhar as informações da PF sobre os celulares de Frederick Wassef e autuar petição autônoma e sigilosa, por entender que os fatos "não possuem conexão com o objeto destes autos"; o pedido de arquivamento da Pet 11.645 segue sem decisão. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichap. 5: PGR pediu "desentranhamento" e "autuação de petição própria" (eDoc. 312); "não possuem conexão com o objeto destes autos"; pp. 5–6: dispositivo e data
- primáriaPortal do STF — consulta processualfichaandamento de 02/07/2026: certidão "Autuada a PET: 16.333 (24192/2026)"
- Poder360fichatrecho: "A determinação foi assinada na 3ª feira (30.jun.2026), e a nova apuração corre à parte do inquérito original"
Respostas e contestações
- Resposta pública
20 jun. 2020: Wassef negou ter escondido Queiroz e ser o "Anjo"; disse que seu escritório em Atibaia estava em obras.
- Resposta pública
5 jul. 2024: Disse que comprou o Rolex com recursos próprios para devolvê-lo ao governo e que é alvo por advogar para Bolsonaro.
- Resposta pública
1 jul. 2026: Contesta a validade da busca de 2023 (sem representante da OAB) e nega irregularidades.
Lacunas e limitações
- Número do procedimento sigiloso aberto em 30/06/2026 e íntegra das decisões de 18-19/03/2026 e 30/06/2026.
- Conteúdo da manifestação da PGR de 08/10/2026 na Pet 11.645 e decisão de Moraes sobre o arquivamento.
- Período e natureza da representação: para Jair, a procuração de 06/05/2021 e os autos do mandado de segurança no TRF-1 não foram consultados em fonte oficial (a consulta pública do TRF-1 exige envio de formulário, não realizado), e o fim da representação não foi documentado; para Flávio, nenhuma procuração ou registro processual localizado. Em 2020 Karina Kufa afirmou que só o escritório dela representava o presidente.
- Grafia: "FREDERICK WASSEF" conferida na decisão do STF de 10/08/2023 (Pet 11.645).
- Detalhamento do episódio das joias pertence ao dossiê joias-presentes-oficiais.