Declaração · Democracia, eleições e instituições · Atuação parlamentar dos filhos
No Senado, Flávio Bolsonaro defende o impeachment de Alexandre de Moraes com base em reportagem da Folha de S.Paulo e diz que o ministro age como "criminoso"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“Caso se confirme – tudo que eu falei aqui é com base na matéria –, estamos diante de um grande atentado à democracia, partindo de um magistrado da mais alta corte do nosso país. [...] Isso não é papel de magistrado! Isso é papel de um criminoso! [...] Eu, Presidente, sempre tive uma postura moderada nessa pauta, sempre tomei todos os cuidados, sempre procurei construir pontes, e já disse uma vez que achava que, antes de fazer impeachment, tínhamos caminhos, degraus a serem perseguidos e percorridos, para se evitar uma medida drástica como essa. [...] Portanto, não há mais como o Senado Federal fugir de apreciar aqui um pedido de impeachment do Ministro Alexandre de Moraes por diversas razões [...] E digo mais: se esse processo todo caminhar para alguma anistia, tem que se incluir na anistia o Ministro Alexandre de Moraes, tem que se incluir na anistia o juiz auxiliar dele, o perito dele, porque, caso se confirme, mais uma vez, cometeram crimes”
- primáriaSenado Federal — Dados Abertos (pronunciamento 508352); publicação no DSF de 15/08/2024, pp. 39–42fichatexto integral, §§ 1, 23, 35, 43 e 51
Contexto
Antes da fala: Disse que "nós, de centro e direita, nos sentimos perseguidos pelo Alexandre de Moraes" e que as mensagens mostrariam o ministro "usando de artifícios de arapongagem para produzir, inventar crimes". Leu um diálogo publicado pelo jornal entre um juiz auxiliar e um perito, em que é pedido o levantamento de redes sociais de nove deputados "para fins de multa".
A fala é condicionada pelo próprio senador: "Caso se confirme – tudo que eu falei aqui é com base na matéria". A reportagem da Folha não foi consultada nesta etapa. Entre os deputados da lista lida por ele está o irmão, Eduardo Bolsonaro.
Depois da fala: Disse que o Senado é "a corregedoria do Supremo", que vai continuar cobrando o impeachment e dirigiu à imprensa a pergunta "o que mais falta para vocês entenderem que vocês estão no pacote?". O trecho final sobre anistia está citado.
Por que importa
Senador e filho de Jair Bolsonaro defendeu no plenário o impeachment de ministro do STF que conduz inquéritos sobre aliados e familiares, e propôs incluir o ministro numa eventual anistia.
Esclarecimentos e retratações
Reações e consequências documentadas
Em aparte na mesma sessão, o senador Esperidião Amin (PP-SC) disse que os fatos decorrem do Inquérito 4.781, "criado em março de 2019, sem objeto, sem tipificação de crime", e o comparou à Inquisição.
- primáriaSenado Federal — Dados Abertos (pronunciamento 508352); publicação no DSF de 15/08/2024, pp. 39–42fichatexto integral, §§ 11–18 (aparte de Esperidião Amin)
Dossiês relacionados
Limitações
- Reportagem da Folha de S.Paulo e a resposta pública de Alexandre de Moraes, mencionadas na fala, não consultadas.
- Afirmação candidata a checagem: buscas determinadas contra a filha menor de idade de um blogueiro, contra o senador Marcos do Val e contra um influenciador, citadas no § 36.
- Reações de terceiros fora do plenário não pesquisadas nesta etapa.