Estudo de impacto · renda · pobreza, renda e desigualdade · Pandemia, saúde pública e vacinação · emprego e informalidade
Auxílio Emergencial de 2020, pobreza e participação no trabalho na PNAD Covid-19 (cenário contábil e efeitos fixos, sem identificação causal)
Luísa Nazareno e Juliana de Castro Galvão (2023-03). Artigo revisado por pares.
Registro em revisão de fontes; não publicado.
Associação estatística. Mostra correlação ou regressão sem estratégia de identificação; não demonstra efeito.
O que o estudo examina
- Decisão ou política
- Auxílio Emergencial de 2020 (Lei nº 13.982/2020, prorrogado com valor reduzido à metade nos meses finais de 2020). Como na ficha de Souza (Ipea), o ator é compartilhado: lei aprovada pelo Congresso, sancionada e paga pelo Executivo.
- Resultado estudado
- Pobreza (linhas de US$ 1,90 e 5,50 PPC por dia, renda domiciliar equivalente), Gini, participação na força de trabalho e desemprego do domicílio e renda per capita, de maio a novembro de 2020.
- Período
- Maio a novembro de 2020.
- População ou unidade
- Domicílios da PNAD Covid-19 presentes em ao menos 4 dos 7 meses (94% da amostra), excluídas rendas zero e o 1% mais rico.
Método
Duas partes. (1) Descritiva, por indivíduo, com cenário contábil "sem auxílio" (renda familiar menos o AE) para pobreza e desigualdade. (2) Regressões de painel por domicílio, com efeitos fixos de domicílio, variável dependente defasada e efeitos fixos de estado × mês; variável de interesse: AE per capita (modelos lineares; logit para pobreza, que só usa domicílios que mudaram de situação). Erros-padrão agrupados por domicílio. As autoras dizem que a falta de período pré-tratamento impede avaliar causalidade.
Estimativa e incerteza
Cenário contábil (não observado): sem o AE, a pobreza extrema (US$ 1,90 PPC por dia) teria ficado entre 6,85% e 9,76% de maio a novembro de 2020; observada com o AE, ficou entre 0,21% e 0,63% (Tabela 1). Regressões: cada real a mais de AE per capita está associado a −0,001 p.p. na participação do domicílio na força de trabalho e a +0,002 p.p. no desemprego (Tabela 2); as autoras consideram esses valores estatisticamente significativos, mas economicamente desprezíveis.
Limitações
- Sem período anterior ao benefício: as autoras dizem que isso impede avaliar causalidade.
- O cenário "sem auxílio" é contábil e estático, como o de Souza (Ipea): o sentido "melhora" é a diferença entre o observado com o benefício e esse cenário, não efeito demonstrado.
- Definições diferentes das de Souza (Ipea): renda equivalente (escala da OCDE), exclusão de rendas zero e do 1% mais rico. Os níveis de pobreza não são comparáveis diretamente com os da ficha souza-2022-ipea-auxilio-emergencial-pobreza-2020 nem com o indicador do acervo.
- O logit de pobreza só usa domicílios que mudaram de situação; renda e trabalho têm períodos de referência diferentes para cerca de um quarto da amostra (nota 9).
Referência e trechos
Nazareno L, de Castro Galvão J. "The Impact of Conditional Cash Transfers on Poverty, Inequality, and Employment During COVID-19: A Case Study from Brazil". Population Research and Policy Review 42: 22, 2023. DOI 10.1007/s11113-023-09749-3 — acessar
- Population Research and Policy Review (Springer)fichaAbstract (p. 1): fixed-effects estimators; "not incentivizing reductions in labor force participation"
- Population Research and Policy Review (Springer)fichaData, Methods e Limitations (pp. 9–13): painel da PNAD Covid; equação (1); "the absence of a pre-treatment period prevents us from assessing causality"
- Population Research and Policy Review (Springer)fichaResults, descritivos, e Table 1 (pp. 13–15): pobreza a US$ 1,90 PPC com e sem o AE
- Population Research and Policy Review (Springer)fichaRegression Results e Table 2: −0,001, +0,002, −0,245 e −0,008 (p < 0,01)
Indicadores relacionados
Lacunas
- Levy e Menezes-Filho (Insper), sobre o AE e a oferta de trabalho feminina, foi localizado e não lido.
- Apêndices (Tabelas 3 a 5) não lidos.