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Estudo de impacto · Pandemia, saúde pública e vacinação · saúde · declarações

Participação do presidente nas manifestações de 15/03/2020 e crescimento dos casos de covid-19 em municípios pró-Bolsonaro, março de 2020 (diferenças em diferenças, versão de trabalho)

Lucas Argentieri Mariani, Jessica Gagete-Miranda e Paula Rettl (2020-05). Texto para discussão.

Situação editorial: Revisão de fontes · Não auditada em 14 out. 2026

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Associação estatística. Mostra correlação ou regressão sem estratégia de identificação; não demonstra efeito.

Sentido do resultado: Efeito desfavorável · Leitura: lidas as partes relevantes (método e resultados)

O que o estudo examina

Decisão ou política
Participação do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações de 15/03/2020 em Brasília, contra as recomendações sanitárias. Segundo os autores, três dias antes ele havia pedido aos apoiadores que não se manifestassem, o que sustenta a hipótese de que a postura dele só ficou clara no dia 15. (Executivo federal)
Resultado estudado
Número de casos confirmados de covid-19 por município (log(1 + casos)) de 8 a 26/03/2020; secundariamente, índice de isolamento social (In Loco) e óbitos por covid-19 e causas relacionadas (registro civil), estes sem número no texto lido.
Período
8 a 26 de março de 2020.
População ou unidade
Municípios com ao menos um caso confirmado no período (5.850 observações município-dia na especificação principal); 46 deles com manifestação confirmada.

Método

Diferenças em diferenças com dados diários por município: municípios em que Bolsonaro venceu o 2º turno de 2018 (ou margem acima de 50%) × demais, antes e depois de 15/03/2020, com efeitos fixos de município e de estado × dia e tendências por população e PIB per capita interagidas com os casos de 14/03. Estudo de evento de 7 dias antes a 10 dias depois. Decomposição entre municípios com e sem manifestação. Amostra: municípios com ao menos um caso confirmado entre 8 e 26/03/2020 (boletins das secretarias estaduais compilados por brasil.io e covid19br). Erros-padrão agrupados por estado × dia.

Por que não é lido como estudo causal

Hipóteses de identificação
Tendências paralelas entre municípios pró e contra Bolsonaro sem o evento; os apoiadores não conheceriam a postura do presidente antes de 15/03 (seção 5); ausência de outros choques diferenciais no período.
Testes apresentados pelo estudo
Estudo de evento com 7 dias antes de 15/03 (Fig. 3, IC 90%): trajetórias semelhantes antes e até 18/03, divergência depois; características pré-evento sem diferença marcante entre os grupos após efeitos fixos de estado (Tabela 1, só pela descrição); várias combinações de controles e uso do 1º turno como robustez; decomposição entre municípios com e sem manifestação.
Ameaças à validade
Amostra condicionada ao próprio resultado (só municípios com caso confirmado até 26/03). Casos confirmados dependem da testagem, escassa e desigual no início (os próprios autores citam subnotificação de até 12 vezes). Pré-período curto e contagens pequenas, em log(1 + casos). Outros eventos e medidas estaduais e municipais no mesmo período podem variar com a orientação política. Erros agrupados por estado × dia, e não por município. Versão de trabalho sem a revisão por pares usual.
Alcance da conclusão
No máximo, sustenta que, nas duas semanas seguintes a 15/03/2020, os casos confirmados cresceram mais em municípios pró-Bolsonaro, com indício de menor isolamento. Não estima óbitos (a figura de óbitos relacionados não traz número no texto lido), não se estende a outros períodos e não separa o comportamento presidencial de diferenças locais de testagem e de medidas. Por isso a ficha usa associação estatística, e não estudo causal.

Versão lida: Covid Economics n. 12 (1º/05/2020), pp. 104–137, PDF no site do Covid Crisis Lab da Universidade Bocconi, acessado em 14/10/2026. Versão publicada posterior não localizada nesta pesquisa. · avaliação em 14 out. 2026

Estimativa e incerteza

Depois de 15/03, os casos confirmados cresceram 18,9% mais nos municípios em que Bolsonaro venceu em 2018 do que nos demais (Tabela 2, col. 4, coeficiente 0,189). Com a medida contínua, 1% a mais de margem acima de 50% corresponde a cerca de 0,6% a mais de crescimento (col. 8). Segundo os autores, o efeito aparece também em municípios sem manifestação, e o índice de isolamento caiu relativamente nos municípios pró-Bolsonaro.

Incerteza: Erros-padrão agrupados por estado × dia: 0,050 para o coeficiente de 0,189 (col. 4) e 0,128 para 0,596 (col. 8), significativos a 1%; estudo de evento com IC de 90% (Fig. 3). A Tabela 2 ficou desalinhada na extração do PDF: os erros-padrão foram lidos pela sequência das colunas e precisam ser conferidos na tabela original.

Estimativas são do estudo, sob as hipóteses dele; não são valores observados nem se somam a resultados de outros estudos.

Limitações

  • Versão de trabalho de abril de 2020, com poucos dias de dados depois do evento.
  • O resultado são casos confirmados, sensíveis à testagem; o estudo não quantifica óbitos no texto lido.
  • A amostra só inclui municípios que já tinham caso confirmado, o que pode enviesar a comparação.
  • O mesmo evento é examinado por Ajzenman et al. (ficha ajzenman-2021-discursos-presidente-distanciamento-municipios), com outro resultado (distanciamento) e mais testes; os resultados vão no mesmo sentido e não se somam.

Referência e trechos

Argentieri Mariani L, Gagete-Miranda J, Rettl P. "Words can hurt: How political communication can change the pace of an epidemic". Covid Economics: Vetted and Real-Time Papers (CEPR), n. 12, 1º de maio de 2020, pp. 104–137 — acessar

Indicadores relacionados

Lacunas

  • Versão publicada posterior, se houver, não localizada nesta pesquisa.
  • Tabelas 3 e 4 e figura de óbitos relacionados não lidas como tabela ou imagem.

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Ficha criada na etapa de pendências do Lote 6 (§6, busca dirigida), por pesquisa assistida. Método e resultados lidos nas partes indicadas em "leitura" e nos trechos; aguarda revisão humana de fontes e editorial.