Declaração · Democracia, eleições e instituições · Desinformação e ataques à imprensa
Em live com o deputado Filipe Barros, Jair Bolsonaro afirma que o próprio TSE demonstraria que os números das eleições de 2018 "podem ter sido fraudados"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“Na verdade, o que nós temos em mãos aqui? A comprovação – porque quem diz isso é o próprio TSE, não é nem a Polícia Federal, é o próprio TSE, que, no período de abril a novembro de 2018, quando tivemos eleições, onde eu fui eleito presidente, você foi eleito deputado federal – de que o código-fonte esteve na mão de um hacker. E o código-fonte, estando na mão de um hacker, ele pode tudo; pode até “você apertar o 1 e sair o 13”, pode “você apertar o 17 e sair nulo”, pode alterar votos, pode fazer tudo. [...] tá mais do que demonstrado, agora, pelo próprio TSE, que as urnas, né, a... os números das eleições podem ter sido fraudados; podem ter sido manipulados, sim.”
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichapp. 103–104: "de que o código-fonte esteve na mão de um hacker"; "os números das eleições podem ter sido fraudados"
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 99: live "enxertada no programa Pingos Nos Is, da Jovem Pan, sendo transmitida ao vivo pela televisão e no canal de Youtube da emissora"
De onde vem este texto
Texto literal conforme o documento consultado; não conferido na gravação original.
- Como a fonte reproduz a fala
- A fonte transcreve a fala diretamente.
- Base que a fonte declara
- O relator afirma: "Transcrevi no voto, às fls. 219 a 229, a parte inicial da live" (p. 103); não indica o arquivo nem o ID dos autos de que fez a transcrição. Na p. 113 informa que a live foi transmitida integralmente pela Jovem Pan e que "O vídeo continua disponível no canal da emissora Jovem Pan no Youtube", com o endereço.
- Gravação original
- localizada, mas não conferida.
- Observação
- Transcrição judicial feita pelo relator (voto oral, versão resumida de voto escrito de 382 páginas), em cópia republicada pelo Poder360. Texto literal conforme o documento consultado; não conferido na gravação original. A pesquisa assistida não reproduz áudio nem vídeo: nenhuma gravação foi assistida ou ouvida. Se conferido no vídeo da emissora, o caso seria de reproducao_audiovisual (emissora, não registro oficial).
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 103 ("Transcrevi no voto, às fls. 219 a 229, a parte inicial da live")
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 113 (transmissão pela Jovem Pan; endereço do vídeo no YouTube)
Contexto
Antes da fala: Segundo o voto do relator (p. 103), Bolsonaro apresentou Filipe Barros como relator da PEC do voto impresso, que teria tido acesso ao inquérito da Polícia Federal nº 1.361/2018, instaurado a pedido do TSE após um ataque hacker à rede do tribunal.
A live ocorreu em 04/08/2021, véspera da votação da PEC 135/2019 na Comissão Especial da Câmara. No dia seguinte o TSE divulgou nota afirmando que o acesso indevido investigado "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018". A divulgação do inquérito, que estava sob sigilo, deu origem ao Inq 4878 no STF, segundo o mesmo voto (p. 65).
Depois da fala: Na sequência transcrita pelo TSE (pp. 104–105), Bolsonaro disse que o hacker "entrou no coração do sistema", que "não estamos acusando de conivência", que "jogo dentro das quatro linhas da Constituição" e que tinha "certeza" de ter sido eleito no primeiro turno de 2018; também afirmou: "Eu não quero inventar coisa aqui, mas são indícios fortíssimos".
Por que importa
A fala foi examinada pelo TSE como um dos antecedentes do discurso a embaixadores de 18/07/2022, que levou à declaração de inelegibilidade de Jair Bolsonaro na AIJE 0600814-85.
Esclarecimentos e retratações
- Contestação
O TSE afirmou em nota que o acesso indevido investigado "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018" e que a investigação nunca lhe comunicou "qualquer elemento indicativo de fraude".
- primáriatse.jus.brfichaitens 2 e 5
Reações e consequências documentadas
- Decisão judicial
Na AIJE 0600814-85, o relator Benedito Gonçalves qualificou como "mentira" a "tradução" de que os achados do TSE mostrariam votos manipulados em 2018 e tratou a live como antecedente do discurso a embaixadores; o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível nessa ação em 30/06/2023 (ver dossiê relacionado).
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 108: "Isso é mentira. O relato do acesso ao código-fonte e senhas de oficialização em momento algum autorizam"
- primáriatse.jus.brficha§ 1 ("Por maioria de votos (5 a 2)") e seção "Consequências" ("A maioria dos ministros seguiu o voto do relator")
Checagens
Dossiês relacionados
Limitações
- O vídeo da live foi localizado no canal do programa Os Pingos nos Is no YouTube (endereço citado pelo TSE), mas não assistido nem ouvido. O texto vem da transcrição feita pelo TSE no voto oral do relator, em cópia republicada pelo Poder360; por isso a modalidade é a de transcrição em documento oficial (transcricao_documental), com original não consultado.
- Sem marcação de tempo: o voto não indica o minuto dos trechos.