Checagem · Democracia, eleições e instituições · Desinformação e ataques à imprensa · Atuação parlamentar dos filhos
Na Câmara, em abril de 2015, Jair Bolsonaro chamou de "urna Smartmatic" a urna eletrônica brasileira; segundo o TSE, as urnas foram fabricadas por Diebold (Diebold Procomp), Unisys e Procomp, e a Smartmatic só foi contratada, em 2014, para recrutar e treinar pessoal de suporte
Registro em revisão de fontes; não publicado.
Falso
As urnas usadas no Brasil até 2015 foram fabricadas por Diebold/Diebold Procomp, Unisys e Procomp, segundo o TSE, e projetadas pela Justiça Eleitoral. A Smartmatic não fabricou nem programou urnas brasileiras; seu contrato com a Justiça Eleitoral em 2014 foi de recrutamento e treinamento de pessoal de suporte. A identificação da urna brasileira como "urna Smartmatic" é, portanto, contrariada pelas fontes oficiais.
A afirmação
“"Ou seja, a Esquerda descobriu que a maneira mais fácil de se perpetuar no poder é manter essa urna Smartmatic."”
- primáriaCâmara dos Deputados — Dados Abertos (API /deputados/74847/discursos) e Diário da Câmara dos Deputados de 29/04/2015, p. 54fichacampo transcricao, § 4: "manter essa urna Smartmatic"
Contexto
O deputado defendia emenda de sua autoria para impressão do voto na reforma política. A frase seguiu a menção a acordos assinados pela então presidente Dilma Rousseff na Unasul. Esta checagem examina só o dado factual (a identificação da urna usada no Brasil como "urna Smartmatic"); a parte sobre "perpetuar no poder" é juízo e não é checada.
O que foi verificado
As urnas eletrônicas usadas nas eleições brasileiras até 2015 eram fornecidas ou programadas pela empresa Smartmatic?
Método
Leitura da nota de esclarecimento do TSE de 07/08/2017 sobre a Smartmatic e da lista oficial de fabricantes de urnas publicada pelo TSE em 29/07/2026. Os editais e contratos não foram consultados.
Achados
- Fato documentado
Segundo o TSE, a Smartmatic "não é fornecedora das urnas eletrônicas" usadas no Brasil; as urnas foram projetadas pela Justiça Eleitoral e produzidas por empresas escolhidas em licitação.
- primáriatse.jus.brficha§ 2: "a empresa Smartmatic não é fornecedora das urnas eletrônicas"
- Fato documentado
Há um vínculo real entre a empresa e as eleições: segundo o TSE, um contrato com a Smartmatic teve por objeto o recrutamento, a contratação e o treinamento de cerca de 14 mil profissionais de suporte técnico-operacional para as eleições de outubro de 2014, e a empresa "em nenhum momento" atuou na programação das urnas.
- primáriatse.jus.brficha§ 3
- Fato documentado
A lista de fabricantes do TSE atribui os modelos de 2004 a 2015 a Diebold/Diebold Procomp, o modelo 2002 e o de 1996 a Unisys Brasil, os de 1998 e 2000 a Procomp e os de 2020 e 2022 a Positivo Tecnologia; a Smartmatic não aparece entre os fabricantes.
- primáriatse.jus.brfichaseção "Empresas fabricantes"
Limitações
As fontes são do TSE, órgão que contrata as urnas; editais e contratos não foram abertos. A nota de 2017 é posterior ao discurso (2015), mas trata de contrato de 2014 e da autoria das urnas desde 1996. O orador não indicou de onde tirou a informação. Não foram consultadas checagens de agências.
Resposta do autor
- Resposta não localizada na pesquisa
Procurada, em 14/10/2026, nos discursos de Jair Bolsonaro na Câmara de 2014 a 2018 (API de Dados Abertos, busca pelo termo "Smartmatic"): não foi localizada retificação. Em 06/10/2015 e 05/10/2017 ele voltou a associar o voto eletrônico à Smartmatic (ver a declaração relacionada). Nenhum pedido de manifestação foi enviado.