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Indicador · inflação e poder de compra · salário mínimo

Inflação (IPCA) e salário mínimo real, 2012–2024

O IPCA foi de 4,31% (2019), 4,52% (2020), 10,06% (2021) e 5,79% (2022). O salário mínimo médio anual, a preços de dezembro de 2022, foi de R$ 1.239,40 em 2019, R$ 1.256,89 em 2020, R$ 1.223,06 em 2021 (queda real de 2,69%) e R$ 1.232,34 em 2022: alta acumulada de 0,27% sobre 2018. A regra de valorização da Lei 13.152/2015 valia até 2019; de 2020 a 2022 os valores foram fixados por atos sem regra de aumento real.

Situação editorial: Revisão de fontes · Auditada — pronta para revisão humana em 14 out. 2026

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Pergunta

Quanto foi a inflação anual (IPCA) em 2019–2022 e como variou o poder de compra do salário mínimo, deflacionado pelo IPCA a preços de dezembro de 2022, em relação a 2015–2018 e a 2023–2024?

-50510152012201420162018202020222024
  • IPCA — variação acumulada no ano (%)
  • Salário mínimo real — variação da média anual (%)
  • período 2019–2022

Fontes: IBGE, IPCA (SIDRA, Tabela 1737); Banco Central, SGS 1619 (salário mínimo), consulta em 14/10/2026. Unidade: %, Brasil. IPCA: variação de janeiro a dezembro, 2012–2024. Salário mínimo real: variação da média anual dos valores mensais deflacionados pelo IPCA (preços de dez/2022), 2013–2024. O reajuste legal usa o INPC, não o IPCA. Faixa destacada: 2019–2022.

Baixar os dados (CSV) · cálculo reproduzível: scripts/indicadores/ipca-salario-minimo-real.mjs · licença: IPCA: dados públicos do IBGE, reutilização com citação da fonte. Salário mínimo: série SGS do Banco Central, licença ODbL indicada no Portal de Dados Abertos do BCB.

Tabela com os valores (13 períodos)
Inflação (IPCA) e salário mínimo real, 2012–2024
PeríodoIPCA — variação acumulada no ano
% · Observado
Salário mínimo — média anual, valores correntes
R$ correntes · Observado · nominal
Salário mínimo — média anual, a preços de dez/2022 (IPCA)
R$ de dezembro de 2022 · Observado · real
Salário mínimo real — variação da média anual
% · Observado · real
20125,846221.150,59—
20135,916781.180,852,63
20146,417241.1860,44
201510,677881.184,4-0,13
20166,298801.215,872,66
20172,959371.251,262,91
20183,759541.229,07-1,77
20194,319981.239,40,84
20204,521.044,51.256,891,41
202110,061.1001.223,06-2,69
20225,791.2121.232,340,76
20234,621.3141.277,173,64
20244,831.4121.315,122,97

Fontes das séries: IBGE — SIDRA, Tabela 1737: IPCA, número-índice (variável 2266, dez/1993 = 100) e variação acumulada no ano (variável 69), mensal, Brasil · Banco Central do Brasil — SGS, série 1619: salário mínimo (R$, mensal)

O que os dados mostram

Contexto

Antes de 2019: O IPCA foi de 10,67% em 2015 e de 2,95% em 2017. Sob a regra da Lei 13.152/2015 (INPC mais crescimento real do PIB de dois anos antes), o salário mínimo real médio passou de R$ 1.184,40 (2015) a R$ 1.229,07 (2018), a preços de dez/2022; houve queda real de 1,77% em 2018. Esses resultados não são atribuídos ao governo Bolsonaro.

Depois de 2022: O IPCA foi de 4,62% em 2023 e 4,83% em 2024. O salário mínimo real médio subiu 3,64% em 2023 e 2,97% em 2024, chegando a R$ 1.315,12 (preços de dez/2022). Esses resultados não são atribuídos ao governo Bolsonaro.

Decisões e fatores relacionados

Quem decidiu ou o que influenciou. A presença de uma decisão aqui não demonstra, por si, que ela causou a variação do indicador.

  • Congresso 29 jul. 2015

    A Lei 13.152/2015 fixou a política de valorização do salário mínimo para 2016 a 2019: reajuste pelo INPC e aumento real igual ao crescimento do PIB de dois anos antes. O último reajuste por essa regra foi o de 2019.

  • Executivo federal 1 jan. 2019

    O Executivo fixou o salário mínimo de 2019 em R$ 998 por decreto que regulamenta a Lei 13.152/2015.

  • Executivo federal 10 jun. 2020

    Para 2020, o Executivo editou as MPs 916/2019 e 919/2020; a Lei 14.013/2020, de conversão da MP 919, fixou R$ 1.039 em janeiro e R$ 1.045 a partir de fevereiro de 2020. A lei não estabelece regra de aumento real.

  • Executivo federal 1 jun. 2022

    Para 2021 e 2022, o Presidente adotou as MPs 1.021/2020 e 1.091/2021, que o Congresso aprovou (Leis 14.158/2021 e 14.358/2022): R$ 1.100 e R$ 1.212. As leis fixam valores, sem regra de aumento real.

  • Congresso 23 jun. 2022

    O Congresso aprovou a Lei Complementar 194/2022, que passou a considerar essenciais, para fins de ICMS (tributo estadual), combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. O efeito sobre o IPCA de 2022 não foi medido aqui.

  • Fator externo 14 jul. 2022

    Choque de preços de combustíveis em 2022: a EC 123/2022 reconheceu estado de emergência "decorrente da elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo, combustíveis e seus derivados".

Associação e causalidade

A queda real do salário mínimo em 2021 coincide com a inflação de 10,06% e com reajuste fixado pelo Executivo e aprovado pelo Congresso sem aumento real; é cálculo aritmético, não estimativa de efeito. Sobre as causas da inflação de 2021–2022 (preços de combustíveis, energia, alimentos, câmbio, política monetária), não foi lido nesta etapa estudo ou documento oficial que as decomponha; a EC 123/2022 apenas registra o reconhecimento, pelo Congresso, de um choque de preços do petróleo. Não se atribui a inflação a uma única decisão.

Outras explicações possíveis

  • Choques internacionais de preços de commodities e energia em 2021–2022 (o reconhecimento do choque do petróleo consta da EC 123/2022; a guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, não foi documentada aqui com fonte primária).
  • Desvalorização cambial em 2020–2021 e crise hídrica com alta de tarifas de energia, não medidas nesta análise.
  • Redução de ICMS (LC 194/2022) e de tributos federais sobre combustíveis e energia em 2022 pode ter baixado o IPCA de forma pontual no segundo semestre; o efeito não foi medido aqui.
  • O uso do INPC no reajuste legal, em vez do IPCA, explica parte da diferença entre o reajuste nominal e o ganho real aqui calculado.

Método

Fontes e séries

IBGE, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): SIDRA, Tabela 1737, variável 2266 (número-índice mensal, dez/1993 = 100) e variável 69 (variação acumulada no ano, %). Banco Central do Brasil, SGS, série 1619 (salário mínimo nominal em vigor em cada mês, R$). Valores de 2019 a 2022 conferidos nos atos: Decreto 9.661/2019 (R$ 998), Lei 14.013/2020 (R$ 1.039 em janeiro e R$ 1.045 a partir de fevereiro de 2020), Lei 14.158/2021 (R$ 1.100) e Lei 14.358/2022 (R$ 1.212).

Metodologia

Inflação anual: variação acumulada do IPCA de janeiro a dezembro (variável 69 em dezembro). Salário mínimo real: para cada mês, valor nominal × (IPCA de dezembro de 2022 ÷ IPCA do mês); a média anual é a média simples dos 12 meses. A variação real anual compara essas médias. O IPCA mede a inflação para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos; o reajuste legal do mínimo usa o INPC (famílias de 1 a 5 salários mínimos), por isso o ganho ou a perda real calculados com o IPCA podem diferir de um cálculo com o INPC. A série não mede o salário efetivamente recebido pelos trabalhadores nem o efeito do mínimo sobre benefícios previdenciários.

Revisões e quebras da série

O IPCA não é revisado depois de divulgado. A série 1619 do SGS reproduz os valores legais; em 2020 houve dois valores (R$ 1.039 em janeiro e R$ 1.045 a partir de fevereiro), o que a média de 12 meses incorpora. A série 1619 registra R$ 1.302 de janeiro a abril de 2023 e R$ 1.320 a partir de maio de 2023.

Valores nominais e reais

Deflator: IPCA (número-índice mensal da Tabela 1737), preços de dezembro de 2022 (índice 6.474,09). A série nominal é a média aritmética dos 12 valores mensais em reais correntes; a série real é a média dos valores mensais deflacionados.

Limitações

  • O deflator é o IPCA; com o INPC o resultado seria diferente.
  • A média anual de valores mensais não capta a perda de poder de compra dentro de cada ano.
  • Não se analisam metas de inflação, juros nem decomposição do IPCA por grupos.
  • A ficha da série 1619 no portal de dados abertos do BCB não foi aberta; os valores foram conferidos pelos atos legais de 2019 a 2022.

Estudos relacionados

Estudo com método explícito sobre efeitos de decisões ligadas a este indicador: não localizado nesta pesquisa (o que não significa que não exista).

Lacunas

  • Cartas abertas do Banco Central sobre o descumprimento da meta de inflação em 2021 e 2022, que explicam os fatores da inflação segundo o BCB (não lidas nesta etapa).
  • Metas de inflação de 2019–2022 fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (não conferidas).

Pendências (só na prévia)

  • Conferir em fonte primária o efeito estimado da LC 194/2022 e das desonerações federais de 2022 sobre o IPCA.

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Registro criado no Lote 5, Grupo I3 (pesquisa assistida); aguarda revisão humana de fontes e editorial.