Indicador · educação · Pandemia, saúde pública e vacinação
Ideb e Saeb antes e depois da pandemia, 2015–2023
Entre 2019 e 2021, o desempenho dos estudantes no Saeb caiu nas três etapas. Ao mesmo tempo, as taxas de aprovação subiram, o que manteve o Ideb estável ou até em alta. Nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb passou de 4,9 para 5,1, mas a nota padronizada caiu de 5,46 para 5,32. Nos anos iniciais, a proficiência em matemática caiu de 227,88 para 216,92 pontos. O Inep afirma que a alta da aprovação está provavelmente ligada à flexibilização dos critérios de promoção durante a pandemia e que o Ideb 2021 deve ser lido como dissociado da série histórica. Em 2023, as notas se recuperaram em parte, mas ficaram abaixo de 2019 nas três etapas. Os dados não permitem atribuir a queda a decisões federais específicas.
Registro em revisão de fontes; não publicado.
Pergunta
Como variaram o Ideb e seus componentes (desempenho no Saeb e aprovação) no Brasil entre 2019 e 2021, nas três etapas avaliadas, e o que muda na leitura quando se separam os dois componentes?
- Ideb, anos iniciais do EF
- Saeb — nota média padronizada (N), anos iniciais do EF
- Ideb, anos finais do EF
- Saeb — nota média padronizada (N), anos finais do EF
- Ideb, ensino médio
- Saeb — nota média padronizada (N), ensino médio
- período 2019–2022
Fonte: Inep/MEC, planilha divulgacao_brasil_ideb_2023, linha "Brasil — Total", baixada em 14/10/2026. Unidade: Ideb e nota média padronizada do Saeb (N), ambos de 0 a 10. Período: 2015–2023, anos ímpares (o Saeb é bienal); a área destacada marca 2019–2022. Valores observados. O Ideb é o produto de N pelo indicador de rendimento P (aprovação). Em 2021, P subiu e N caiu, e o Inep recomenda cautela: o Ideb 2021 está "dissociado da série histórica do rendimento" por causa da pandemia e da mudança nos critérios de aprovação. Em 2021, escolas com participação inferior a 80% no Saeb ficaram sem Ideb.
Tabela com os valores (5 períodos)
| Período | Ideb, anos iniciais do EF | Saeb — nota média padronizada (N), anos iniciais do EF | Indicador de rendimento (P), anos iniciais do EF | Saeb — proficiência média em matemática, anos iniciais do EF | Saeb — proficiência média em língua portuguesa, anos iniciais do EF | Ideb, anos finais do EF | Saeb — nota média padronizada (N), anos finais do EF | Indicador de rendimento (P), anos finais do EF | Saeb — proficiência média em matemática, anos finais do EF | Saeb — proficiência média em língua portuguesa, anos finais do EF | Ideb, ensino médio | Saeb — nota média padronizada (N), ensino médio | Indicador de rendimento (P), ensino médio | Saeb — proficiência média em matemática, ensino médio | Saeb — proficiência média em língua portuguesa, ensino médio |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2015 | 5,5 | 5,93 | 0,932 | 219,3 | 207,57 | 4,5 | 5,19 | 0,858 | 257,73 | 253,5 | 3,7 | 4,46 | 0,834 | 267,6 | 267,87 |
| 2017 | 5,8 | 6,15 | 0,94 | 224,1 | 214,54 | 4,7 | 5,36 | 0,873 | 260,8 | 260,77 | 3,8 | 4,51 | 0,839 | 270,63 | 268,52 |
| 2019 | 5,9 | 6,22 | 0,952 | 227,88 | 214,64 | 4,9 | 5,46 | 0,9 | 265,16 | 262,3 | 4,2 | 4,79 | 0,871 | 278,53 | 279,53 |
| 2021 | 5,8 | 5,89 | 0,977 | 216,92 | 208,09 | 5,1 | 5,32 | 0,957 | 258,59 | 260,41 | 4,2 | 4,62 | 0,901 | 270,85 | 275,89 |
| 2023 | 6 | 6,15 | 0,972 | 224,83 | 213,89 | 5 | 5,33 | 0,94 | 258,94 | 260,84 | 4,3 | 4,67 | 0,92 | 272,88 | 276,91 |
O que os dados mostram
- Fato documentado
Anos iniciais do ensino fundamental, 2019 → 2021: o Ideb caiu de 5,9 para 5,8. A nota padronizada (N) caiu de 6,22 para 5,89 e o indicador de rendimento (P) subiu de 0,952 para 0,977. Matemática caiu de 227,88 para 216,92 pontos e língua portuguesa de 214,64 para 208,09.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaaba "Brasil (Anos Iniciais)", linha Brasil/Total, colunas VL_OBSERVADO, VL_NOTA_MEDIA, VL_INDICADOR_REND, VL_NOTA_MATEMATICA e VL_NOTA_PORTUGUES de 2019 e 2021
- Fato documentado
Anos finais do ensino fundamental, 2019 → 2021: o Ideb subiu de 4,9 para 5,1, embora a nota padronizada tenha caído de 5,46 para 5,32. O aumento veio do indicador de rendimento, que passou de 0,900 para 0,957. Matemática caiu de 265,16 para 258,59.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaaba "Brasil (Anos Finais)", linha Brasil/Total, colunas de 2019 e 2021
- Fato documentado
Ensino médio, 2019 → 2021: o Ideb ficou estável em 4,2. A nota padronizada caiu de 4,79 para 4,62 e o indicador de rendimento subiu de 0,871 para 0,901. Matemática caiu de 278,53 para 270,85 e língua portuguesa de 279,53 para 275,89.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaaba "Brasil (EM)", linha Brasil/Total, colunas de 2019 e 2021
- Fato documentado
Segundo o Inep, a taxa de aprovação do ensino fundamental da rede pública passou de 91,7% em 2019 para 98,4% em 2020 e 96,3% em 2021. No ensino médio público, foi de 84,7% para 94,4% e depois 89,8%. O Inep relaciona o aumento, "provavelmente", a ajustes nos critérios de aprovação e ao continuum curricular, e afirma que a pandemia impactou negativamente o desempenho dos alunos.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaitem 1, Contexto, parágrafo "Como consequência desse cenário"
- Fato documentado
Em 2021, 11.117 escolas de anos iniciais, 12.956 de anos finais e 10.836 de ensino médio ficaram sem Ideb divulgado por participação no Saeb inferior a 80%.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaitem 4, Resultados gerais, observação 2
- Fato documentado
Antes de 2019, o Ideb vinha subindo nas três etapas (2015 → 2019: 5,5 → 5,9; 4,5 → 4,9; 3,7 → 4,2). Em 2023, as proficiências em matemática e língua portuguesa ficaram abaixo das de 2019 nas três etapas.
- primáriadownload.inep.gov.brfichatrês abas, linha Brasil/Total, colunas de 2015, 2019 e 2023
- Análise editorial
Análise editorial: em 2021, o Ideb, isoladamente, esconde a queda do aprendizado medido pelo Saeb, porque a alta da aprovação compensou a queda das notas. A leitura por componentes, que o próprio Inep recomenda, mostra perda de desempenho nas três etapas entre 2019 e 2021.
Sem evidência vinculada — não publicar.
Contexto
Antes de 2019: Entre 2015 e 2019, o Ideb subiu nas três etapas: anos iniciais de 5,5 para 5,9; anos finais de 4,5 para 4,9; ensino médio de 3,7 para 4,2. A nota padronizada e a aprovação também subiram. O Saeb 2019 foi aplicado no primeiro ano do governo, mas a trajetória vinha de antes e não é atribuída a ele.
Depois de 2022: Em 2023, com aulas presenciais retomadas, as notas do Saeb subiram em relação a 2021, mas ficaram abaixo de 2019 nas três etapas. Nos anos iniciais, matemática chegou a 224,83 (227,88 em 2019) e língua portuguesa a 213,89 (214,64). Nos anos finais, matemática ficou em 258,94 (265,16) e língua portuguesa em 260,84 (262,30). No ensino médio, matemática chegou a 272,88 (278,53) e língua portuguesa a 276,91 (279,53). O Ideb de 2023 foi 6,0, 5,0 e 4,3. Esses resultados são de 2023 e não são atribuídos ao governo 2019–2022.
Decisões e fatores relacionados
- Estados
Estados e municípios (redes de ensino) suspenderam as aulas presenciais a partir de março de 2020. Segundo a pesquisa "Resposta Educacional à Pandemia de Covid-19", do Inep, 99,3% das escolas suspenderam as atividades presenciais em 2020, com média de 279 dias de suspensão, e só 9,9% voltaram durante aquele ano letivo. Em 2021, 82,6% adotaram atividades híbridas ou presenciais em algum momento, e o país teve cerca de 100 dias de aulas remotas em média.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaitem 1, Contexto, 3º a 5º parágrafos
- Executivo federal
O Executivo editou a Medida Provisória nº 934/2020, convertida pelo Congresso na Lei nº 14.040, de 18/08/2020. A lei dispensou, em caráter excepcional, o mínimo de dias letivos no ensino fundamental e médio, mantida a carga horária mínima anual, e atribuiu ao Conselho Nacional de Educação a edição de diretrizes nacionais.
- primáriaPlanalto — Legislaçãofichacabeçalho ("Conversão da Medida Provisória nº 934, de 2020"); art. 1º, parágrafo único; art. 2º, II
- Executivo federal
O Conselho Nacional de Educação, órgão do MEC, sugeriu em resolução de dezembro de 2020 um "continuum curricular" 2020–2021. A resolução recomendava evitar o aumento da reprovação e do abandono. Em agosto de 2021, a Resolução CNE/CP nº 2/2021 fixou diretrizes para o retorno presencial e recomendou revisão dos critérios de promoção. Segundo o Inep, o aumento das taxas de aprovação está "provavelmente" relacionado a esses ajustes.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaitem 1, Contexto, 6º a 9º parágrafos
- Congresso
O Congresso aprovou projeto que obrigava a União a entregar R$ 3.501.597.083,20 a estados e ao DF para garantir acesso à internet com fins educacionais a alunos e professores da rede pública durante a pandemia. O projeto teve veto total do Presidente (Mensagem de Veto Total nº 81/2021). Foi promulgado como Lei nº 14.172, de 10/06/2021, nos termos do art. 66, § 5º, da Constituição, isto é, após a rejeição do veto. A execução desses recursos não foi verificada.
- primáriaPlanalto — Legislaçãofichacabeçalho ("Vide Mensagem de Veto Total nº 81, de 2021"; "eu promulgo, nos termos do parágrafo 5º do art. 66"); art. 2º
- Fator externo
Pandemia de covid-19 (fator externo): o Inep registra que ela "teve grande impacto nas atividades escolares em 2020 e 2021" e impactou negativamente o desempenho dos alunos, de forma heterogênea no território, conforme as desigualdades socioeconômicas e de infraestrutura.
- primáriadownload.inep.gov.brfichaintrodução e último parágrafo do item 1
Associação e causalidade
A queda das notas entre 2019 e 2021 coincide com a suspensão de aulas presenciais na pandemia, e o Inep descreve esse impacto de forma qualitativa, sem estimativa causal. Não foi lido nenhum estudo com método de identificação causal que separe o efeito da pandemia, das decisões das redes estaduais e municipais (duração do fechamento, ensino remoto) e das decisões federais (MEC, CNE, financiamento, apoio à conectividade). A alta da aprovação tem mecanismo documentado pelo Inep (flexibilização dos critérios de promoção), mas o próprio Inep usa "provavelmente". Ausência de estudo causal não autoriza concluir que as decisões federais não tiveram efeito, positivo ou negativo.
Outras explicações possíveis
- Fechamento das escolas, decidido sobretudo por estados e municípios, e diferenças no acesso ao ensino remoto.
- Composição da amostra: em 2021, escolas com baixa participação ficaram fora do Ideb, e alunos presentes podem diferir dos de 2019.
- Desigualdade socioeconômica e de infraestrutura, que o Inep aponta como fonte de impacto heterogêneo.
- Mudança de critérios de promoção (continuum curricular), que eleva P sem relação com a aprendizagem.
Método
Fontes e séries
Inep (MEC), resultados do Ideb para o Brasil, planilha divulgacao_brasil_ideb_2023 (abas anos iniciais, anos finais e ensino médio), linha "Brasil — Total". Séries: Ideb observado; nota média padronizada do Saeb (N, de 0 a 10); indicador de rendimento (P, de 0 a 1, derivado das taxas de aprovação do Censo Escolar); proficiência média no Saeb em matemática e língua portuguesa (escala Saeb). Anos: 2015, 2017, 2019, 2021 e 2023 (o Saeb é bienal). A série mede o desempenho em duas disciplinas nas séries avaliadas (5º e 9º anos do EF e 3ª/4ª série do EM) e o fluxo escolar. Não mede outras disciplinas, aprendizagem fora dessas séries nem abandono depois da matrícula.
Metodologia
Ideb = N × P, conforme o Inep. Os valores são os da planilha oficial: o Ideb com 1 casa decimal, N com 2 casas e P com 3 casas (arredondados pelo script). As proficiências são as publicadas. A comparação central é 2019 × 2021, com 2015–2017 como contexto anterior e 2023 como posterior. Para separar o efeito dos dois componentes, os dois são apresentados lado a lado. Nenhum ajuste foi feito.
Revisões e quebras da série
1) Pandemia e comparabilidade (Inep): o cálculo do Ideb 2021 "segue a mesma metodologia" de 2007. Mas o Inep registra que a mudança brusca nas taxas de aprovação faz o Ideb 2021 ficar "dissociado da série histórica do rendimento" e pede cautela em comparações. No período 2013–2019, a evolução da aprovação e a da nota no Saeb tinham correlação positiva entre as UFs. Entre 2019 e 2021, o Inep não encontrou associação, ou encontrou associação negativa. 2) Participação: em 2021, escolas com participação inferior a 80% no Saeb ficaram sem Ideb divulgado (11.117 escolas de anos iniciais, 12.956 de anos finais e 10.836 de ensino médio), pelos critérios da Portaria nº 399/2022. O resultado nacional de 2021 pode, portanto, ter composição de alunos diferente da de 2019. 3) Abrangência: segundo a nota do Inep, nos anos finais e no ensino médio o resultado "Brasil — Total" de 2021 cobre escolas urbanas públicas e privadas. 4) Fim do primeiro ciclo de metas (2007–2021): as metas não são usadas aqui.
Valores nominais e reais
Não se aplica: índices e notas de proficiência, sem valor monetário.
Limitações
- Só o total Brasil; não há quebra por rede, UF ou nível socioeconômico nesta análise.
- Saeb bienal: não há medida para 2020 e 2022.
- O Ideb 2021 é considerado pelo Inep dissociado da série histórica do rendimento.
- A abrangência do "Brasil — Total" (urbanas e rurais, públicas e privadas) varia entre etapas, segundo a nota do Inep.
- O orçamento do MEC e das universidades (autorizado × executado) não foi analisado nesta rodada.
Estudos relacionados
Lacunas
- Relatório de Resultados do Saeb 2021 (volume 1), citado pela planilha: não lido.
- Resoluções do CNE de dezembro de 2020 e CNE/CP nº 2/2021: descritas pelo Inep, não lidas diretamente.
- Estudo com desenho causal sobre perdas de aprendizagem no Brasil e seus determinantes.
- Ações do MEC de apoio às redes em 2020–2021 (ex.: programas de conectividade, recursos do PDDE) e sua execução.
Pendências (só na prévia)
- Ler a Mensagem de Veto Total nº 81/2021 e a sessão do Congresso que rejeitou o veto ao projeto da Lei 14.172/2021, e verificar a execução dos R$ 3,5 bilhões.
- Verificar se o Saeb do ensino médio mudou de amostral para censitário nas escolas públicas em 2017–2019 e como isso afeta a comparação com 2015.