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Indicador · pobreza, renda e desigualdade · auxílio emergencial

Desigualdade de renda: índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, 2012–2024

O Gini caiu de 0,543 (2019) para 0,523 (2020), voltou a 0,543 em 2021 e caiu para 0,517 em 2022. Sem os benefícios sociais, no exercício do IBGE, o Gini teria subido para 0,573 em 2020; a distância entre as duas medidas foi a maior da série. A queda de 2020 foi temporária; a de 2022 se manteve em 2023 e se aprofundou em 2024 (0,504).

Situação editorial: Revisão de fontes · Auditada — pronta para revisão humana em 14 out. 2026

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Pergunta

Como variou o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita em 2019–2022, em comparação com 2012–2018 e 2023–2024, com e sem os benefícios de programas sociais?

0,50,520,540,560,582012201420162018202020222024
  • Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita (índice (0 a 1))
  • Índice de Gini — exercício simulado sem benefícios sociais (índice (0 a 1); estimativa)
  • período 2019–2022

Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabelas 2.13 e 2.14 (PNAD Contínua anual, 1ª visita). Unidade: índice de Gini (0 a 1) do rendimento domiciliar per capita, Brasil, 2012–2024. Escala vertical ajustada ao intervalo dos dados, porque as variações anuais (centésimos) são pequenas diante do nível (cerca de 0,5). Linha tracejada: exercício simulado do IBGE sem benefícios de programas sociais — estimativa estática. Faixa destacada: 2019–2022. O eixo vertical não começa em zero.

Baixar os dados (CSV) · cálculo reproduzível: scripts/indicadores/gini-renda-domiciliar-per-capita.mjs · licença: Dados públicos do IBGE (Síntese de Indicadores Sociais), reutilização com citação da fonte; termos de uso não relidos nesta etapa.

Tabela com os valores (13 períodos)
Desigualdade de renda: índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, 2012–2024
PeríodoÍndice de Gini do rendimento domiciliar per capita
índice (0 a 1) · Observado
Índice de Gini — exercício simulado sem benefícios sociais
índice (0 a 1) · Estimativa
20120,540,555
20130,5320,548
20140,5260,542
20150,5240,54
20160,5370,554
20170,5390,555
20180,5450,562
20190,5430,56
20200,5230,573
20210,5430,568
20220,5170,547
20230,5170,554
20240,5040,542

Fontes das séries: IBGE — Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.13: índice de Gini da distribuição do rendimento domiciliar per capita, Brasil, Grandes Regiões, UFs e capitais, 2012–2024 · IBGE — Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.14: índice de Gini do rendimento domiciliar per capita sem os benefícios de programas sociais governamentais, 2012–2024

O que os dados mostram

Contexto

Antes de 2019: O Gini caiu de 0,540 (2012) para 0,524 (2015) e subiu para 0,545 em 2018, o maior valor da série, durante e depois da recessão de 2015–2016. Esses movimentos não são atribuídos ao governo Bolsonaro.

Depois de 2022: O Gini ficou em 0,517 em 2023 e caiu para 0,504 em 2024, o menor valor da série. Esses resultados não são atribuídos ao governo Bolsonaro.

Decisões e fatores relacionados

Quem decidiu ou o que influenciou. A presença de uma decisão aqui não demonstra, por si, que ela causou a variação do indicador.

  • Congresso 2 abr. 2020

    Auxílio emergencial de R$ 600 instituído por lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo Presidente (Lei 13.982/2020).

  • Executivo federal 18 mar. 2021

    Auxílio Emergencial 2021, de menor valor, instituído por medida provisória do Executivo (parcelas de R$ 250; R$ 375 e R$ 150 em casos específicos).

  • Congresso 14 jul. 2022

    Acréscimo de R$ 200 ao Auxílio Brasil de agosto a dezembro de 2022, por emenda constitucional promulgada pelo Congresso.

Associação e causalidade

A queda do Gini em 2020 e a alta em 2021 acompanham a expansão e a redução das transferências emergenciais, e o exercício do IBGE sem benefícios mostra que, contabilmente, as transferências explicam a diferença entre as duas séries. Isso não é estimativa causal: o exercício não considera mudanças de comportamento nem outros efeitos do programa. Não foi lido estudo com método identificado sobre o efeito do auxílio na desigualdade. As decisões sobre as transferências envolveram o Congresso e o Executivo.

Outras explicações possíveis

  • Mudanças na renda do trabalho: a perda de ocupações em 2020 atingiu mais os trabalhadores informais, de renda mais baixa, o que tenderia a elevar a desigualdade da renda do trabalho.
  • Retomada do mercado de trabalho em 2022 e reajuste e expansão de transferências (Auxílio Brasil) no mesmo ano.
  • Limites da pesquisa domiciliar para captar rendas do topo; o Gini de dados tributários pode mostrar tendência diferente.

Método

Fontes e séries

IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025, Tabela 2.13 (índice de Gini da distribuição do rendimento domiciliar per capita, Brasil, 2012–2024) e Tabela 2.14 (o mesmo índice num exercício sem os benefícios de programas sociais governamentais). Base: PNAD Contínua anual, acumulado de primeiras visitas. Para o Brasil, os valores da Tabela 2.13 coincidem, com 3 casas, com os da Tabela 7435 do SIDRA (variável 10681).

Metodologia

O índice de Gini varia de 0 (todos com a mesma renda) a 1 (toda a renda com uma pessoa). Calculado pelo IBGE sobre o rendimento domiciliar per capita, a preços médios de cada ano, excluídos pensionistas, empregados domésticos e seus parentes. O exercício sem benefícios retira Bolsa Família, BPC, auxílio emergencial e outros programas sociais da renda. O script lê a linha "Brasil" de cada aba anual e arredonda a 3 casas. O índice resume a distribuição: não mostra em que parte dela ocorreram as mudanças nem capta rendas do topo mal declaradas em pesquisas domiciliares.

Revisões e quebras da série

A SIS 2025 reapresenta a série 2012–2024 com a ponderação vigente. A coleta por telefone em 2020–2021 reduziu a taxa de resposta da PNAD Contínua. O SIDRA (Tabela 7435) já traz 2025 (0,511), não usado aqui porque a SIS 2025 vai até 2024.

Valores nominais e reais

Não se aplica ao índice (razão sem unidade). Os rendimentos estão em preços médios de cada ano, o que não afeta o Gini, que é invariante à escala.

Limitações

  • O Gini resume a distribuição em um número e não indica onde ela mudou.
  • Rendas muito altas tendem a ser subdeclaradas em pesquisas domiciliares.
  • Exercício sem benefícios é simulação estática.
  • Coleta por telefone em 2020–2021, com taxa de resposta menor.

Estudos relacionados

Estudo com método explícito sobre efeitos de decisões ligadas a este indicador: não localizado nesta pesquisa (o que não significa que não exista).

Lacunas

  • Decomposição do Gini por fonte de renda (trabalho, previdência, transferências) para 2019–2022.

Pendências (só na prévia)

  • Procurar estudo com método identificado sobre o efeito do auxílio emergencial na desigualdade.

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Registro criado no Lote 5, Grupo I3 (pesquisa assistida); aguarda revisão humana de fontes e editorial.