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Checagem · Pandemia, saúde pública e vacinação · Atuação parlamentar dos filhos

No Senado, Flávio Bolsonaro disse que Jair Bolsonaro "comprou todas as vacinas aplicadas neste país sem exceção"; o Ministério da Saúde comprou e distribuiu as vacinas do programa nacional, mas o "todas, sem exceção" não pôde ser confirmado

Flávio Bolsonaro · 3 mai. 2023 · Discurso no Plenário do Senado Federal · Situação editorial: Revisão de fontes

Auditada — pronta para revisão humana em 14 out. 2026 — Achados conferidos nas leis e nas reportagens lidas; veredito inconclusivo pelas lacunas de acesso registradas. Pronta para revisão não significa aprovação.

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Resultado

Inconclusivo

As fontes lidas sustentam o núcleo da frase, mas não o "todas, sem exceção". O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, foi o comprador e o distribuidor das vacinas do programa nacional durante o governo de Jair Bolsonaro: em setembro de 2021, o ministério informava ter enviado mais de 287 milhões de doses aos estados. Confirmar que todas as doses aplicadas no país até maio de 2023 vieram dessas compras exigiria os contratos e a base de distribuição por lote e fabricante, que não foram lidos. Também exigiria saber se compras estaduais ou municipais, autorizadas pela Lei 14.125/2021, resultaram em doses aplicadas, e qual a origem das doses aplicadas no início de 2023, já no governo seguinte. O relatório da CPI da Pandemia, que reúne contratos e ofertas, estava atrás de verificação de segurança e não foi lido. Por isso a checagem fica inconclusiva, e não foram examinados os prazos das compras nem as ofertas recusadas ou não respondidas.

A afirmação

“foi o Presidente Bolsonaro que comprou todas as vacinas aplicadas neste país sem exceção, todas!”

Onde e quando foi divulgada:

Ver a declaração completa, com contexto.

Contexto

No dia da operação da Polícia Federal sobre registros de vacinação, o senador disse: "É um fato, Presidente, gostem ou não gostem, que foi o Presidente Bolsonaro que comprou todas as vacinas aplicadas neste país sem exceção, todas! Não teve ninguém que quis tomar vacina neste Brasil que não teve acesso à vacina, e foi uma opção dele não se vacinar [...]". A fala contém duas alegações verificáveis: a de que todas as vacinas aplicadas foram compradas pelo governo Bolsonaro (examinada aqui) e a de que ninguém que quis se vacinar ficou sem acesso, não examinada nesta etapa porque depende do período considerado e do calendário por faixa etária (ver relatório).

O que foi verificado

As vacinas contra a covid-19 aplicadas no Brasil até maio de 2023 foram todas adquiridas pelo governo federal (Ministério da Saúde) durante o governo de Jair Bolsonaro?

Método

(1) Delimitação da frase no texto integral do Senado (declaração ligada). (2) Marco legal das compras: Lei 14.124/2021 e Lei 14.125/2021. (3) Distribuição pelo Ministério da Saúde: números do ministério reproduzidos pela Agência Brasil em setembro de 2021. (4) Tentativas que não puderam ser concluídas: o relatório final da CPI da Pandemia, que reúne contratos e ofertas (usado só como documento de fatos), respondeu com uma página de verificação de segurança do Senado em 14/10/2026, não contornada; os contratos do Ministério da Saúde com os fornecedores e a base de distribuição por fabricante não foram lidos. Critério: "verdadeiro" se as fontes mostrassem que todas as doses aplicadas vieram de compras federais do período; "inconclusivo" se as fontes lidas mostrassem só que o governo federal foi o comprador principal, sem permitir confirmar o "todas, sem exceção".

Achados

  • Fato documentado

    Palavras exatas: "foi o Presidente Bolsonaro que comprou todas as vacinas aplicadas neste país sem exceção, todas!" A frase atribui as compras à pessoa do ex-presidente e afirma que não há exceção.

  • Fato documentado

    A Lei 14.124/2021, sancionada pelo presidente em 10/03/2021 (conversão da MP 1.026/2020), autorizou a administração pública direta e indireta a contratar a aquisição de vacinas e insumos com dispensa de licitação, inclusive antes do registro sanitário.

  • Fato documentado

    A Lei 14.125/2021, também de 10/03/2021, autorizou a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios a adquirir vacinas com registro ou autorização de uso emergencial da Anvisa. A compra por outros entes era, portanto, legalmente possível.

  • Alegação atribuída

    Em setembro de 2021, o Ministério da Saúde informava ter distribuído aos estados e ao DF 267,6 milhões de doses até 19/09 e mais de 287 milhões até 26/09, das quais 75,9 milhões da Pfizer.

  • Análise editorial

    As fontes lidas mostram que o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, comprou e distribuiu aos estados as vacinas do programa nacional durante o governo Bolsonaro. Não permitem afirmar que todas as doses aplicadas até maio de 2023 tenham essa origem: não foram verificados contratos estaduais ou municipais autorizados pela Lei 14.125/2021 que tenham resultado em doses aplicadas, nem a origem das doses aplicadas nos primeiros meses de 2023, já no governo seguinte. A atribuição pessoal ("foi o Presidente Bolsonaro que comprou") descreve compras feitas pelo Ministério da Saúde.

    Sem evidência vinculada — não publicar.

Limitações

Não foram lidos os contratos do Ministério da Saúde com Butantan, Fiocruz, Pfizer, Janssen e o consórcio Covax, nem a base de distribuição por fabricante e lote. O relatório final da CPI da Pandemia e o portal do Planalto apresentaram verificações de segurança em 14/10/2026, não contornadas. A distribuição vem de números do ministério reproduzidos pela Agência Brasil. A segunda alegação da mesma fala ("Não teve ninguém que quis tomar vacina neste Brasil que não teve acesso à vacina") não foi examinada.

Resposta do autor

  • Resposta não localizada na pesquisa

    Não foi localizada, nas fontes consultadas, manifestação posterior do autor sobre a afirmação. Nenhum pedido de manifestação foi enviado.

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Registro criado no Lote 6, §3 (checagens candidatas): frase delimitada, pergunta formulada antes da pesquisa, dados da época e atuais distinguidos (pesquisa assistida; aguarda revisão humana de fontes).